O Terreiro

Sobre o Omidayê

Mãe Márcia D’Oxum lidera o terreiro de Candomblé Egbè Ilè Ìyá Omidayè Aṣé Obalayó, mais usualmente chamado em suas formas abreviadas Ilê Omidayê (pronuncia-se Ilê Omidayê) ou, simplesmente, Omidayê, situado no município de São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Ela explica cada palavra na língua yorubá que compõe o nome do terreiro. Egbè quer dizer sociedade ou comunidade. Ilè, casa. Ìyá é a palavra yorubá para mãe ou senhora. Omidayè é a água (omi) do mundo (ayè) em que vivemos. Aṣé (pronuncia-se axé) é a força vital. Obalayó é uma palavra composta de outras duas, obá, que quer dizer rei, e layó, que nos traz alegrias. A casa, portanto, é dedicada aos Orixás Oxum, a Mãe da água do mundo, e Xangô, o Rei que nos traz alegrias.

A casa da Mãe da água do mundo promoveu encontros e muitas conversas, sediou eventos e projetos culturais, acolheu reuniões, abraçou propostas, além de transbordar suas fronteiras fluidas para muito além do terreiro ao tecer suas redes educativas.

Mãe Márcia lidera o terreiro de Candomblé Egbè Ilè Ìyá Omidayè Aṣé Obálayó, mais usualmente chamado em suas formas abreviadas Ilè Omidayè (pronuncia- se Ilê Omidayê) ou, simplesmente, Omidayè, situado no município de São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Mãe Márcia explica cada palavra na língua yorubá que compõe o nome do terreiro. Egbé quer dizer sociedade ou comunidade. Ilè, casa. Ìyá é a palavra yorubá para mãe ou senhora. Omidayè é a água (omi) do mundo (aye) em que vivemos. Aṣé (pronuncia-se Axé) é a força vital. Obalayo é uma palavra composta de outras duas, obá, que quer dizer rei, e layó, que nos traz alegrias. A casa, portanto, é dedicada aos Orixás Oxum, a mãe da água do mundo, e Xangô, o rei que nos traz alegrias.

A casa da mãe da água do mundo promoveu encontros e muitas conversas, sediou eventos e projetos culturais, acolheu reuniões, abraçou propostas, além de transbordar suas fronteiras fluidas para muito além do terreiro ao tecer suas redes educativas.

O terreiro é dedicado a Oxum e também a Xangô. A história de vida de Mãe Márcia se entrelaça à presença mítica e ancestral de Xangô. Mãe Márcia possui uma história familiar que considera fundamental para a compreensão de como sua vida está ligada ao culto dos Orixás e de como Xangô está na origem da própria fundação do terreiro. “Xangô está em minha família há muito tempo. Xangô veio com os meus ancestrais da África para o Brasil e nunca nos abandonou”, segundo Mãe Márcia.

O seu tataravô materno trouxe uma pedra (otá em yorubá) consagrada a Xangô do continente africano para o Brasil, quando aqui chegou, na condição de escravizado. Toda família materna de Mãe Márcia, ao longo de gerações, cuida dessa pedra, que agora está sob seus cuidados. As iniciações no Candomblé em sua família também teriam sido solicitações de Xangô. Foi assim com sua mãe, tias e tios maternos, todos iniciados por Mãe Menininha do Gantois “por ordem de Xangô”, nas palavras de Mãe Márcia. A pedra deve ser cuidada pelo membro da família escolhido como responsável por essa missão. Por isso, a pedra está no Ilè Omidayè, “como um Axé vivo, nossa mais importante herança, como uma semente que faz nascer uma grande árvore, germinando e crescendo, com muitos brotos e mudas que se multiplicam”, conta Mãe Márcia.

A iniciação de mãe Márcia, ocorreu junto com a de sua mãe e irmã, se deu no dia 02 do mês de fevereiro de 1968, na cidade de São Salvador, no Ilé Iyá Omi Asè Iyamasé, Axé Gantois, pelas mãos da lendária Mãe Menininha. Após o período de iniciação e de preceito posterior à iniciação, Mãe Marcia retorna com

sua mãe e irmã para sua casa em São Gonçalo, onde ficou o seu pai e sua tia Neide que tomaram conta de sua residência até que elas chegassem.

As raízes históricas do Omidayé, podemos sinalizar um início quando da vinda de seu tataravô africano com a pedra de culto à Xangô, que foi guardada durante as gerações, que por sua vez foi apresentada a Mãe Menininha do Gantois e em seguida, por ordem de Xangô instituiu que todos os descendentes deveriam ser iniciados no Candomblé, devido essa ligação ancestral com o panteão africano, a partir daí entenderemos o surgimento do terreiro do Omidayé e sua configuração atual.

Se partimos da compreensão que práticas filantrópicas podem ser entendidas como atos benevolentes que são empreendidas por pessoas ou instituições na direção daqueles que não possuem situação material ou contexto de vida favorável, perceberemos que nesse espaço sacralizado possibilitam esses atos, que perpassam desde a promoção do desenvolvimento econômico local, ao combate à degradação ambiental e manutenção de espaços vitais da natureza, passando pela defesa de direitos civis, o acesso à educação, entre outros. A intenção é atender objetivos da sociedade que ainda não tenham sido realizados ou que apresentem lacunas sob a responsabilidade do Estado.

O Matrizes Que Fazem é um projeto sediado e vinculado ao Egbè Ilè Ìyá Omidayè Aṣé Obálayó, que se entrelaça com a história e com a biografia de Mãe Márcia d’Oxum, que o concebeu e é responsável por sua coordenação geral, realizando atividades sociais e culturais direcionadas a crianças, jovens e adultos da comunidade do bairro de Sacramento, em São Gonçalo.

A missão, a razão de ser, do Matrizes, como é chamado pelos membros do terreiro é detalhada da seguinte forma, misturando-se a valores e princípios:

  • Estimular o respeito aos valores religiosos e culturais nos diversos segmentos sociais;
  • Solidariedade com o próximo;
  • Desenvolver os talentos individuais e coletivos;
  • Colaborar na formação do caráter pessoal, para a formação de um mundo melhor.

Crianças, jovens e adultos dos povos tradicionais e das comunidades do Morro do Céu e Lagoinha, assim como dos arredores, são alcançados pelo Projeto. Respeito à diversidade, acesso à cultura ancestral e a afirmação da identidade negra são os principais objetivos da iniciativa.

O Matrizes Que Fazem é um grande projeto matricial, que se desdobra em diversas outras ações, eventos e projetos culturais realizados no terreiro Ilè Omidayè, organizados na linha do tempo a seguir.

Até o presente momento compreendemos que a constituição do espaço do terreiro reside em preocupações de caráter tanto social quanto cultural e também de cunho político. Com estas preocupações o Ilé iniciou várias propostas dentro do seu espaço para que seja mantida práticas e que este conhecimento se preserve dentro do dia a dia da vivência desta cultura. Dentre as melhorias da área residencial do espaço e arredores temos como exemplo a mobilização para implementação da rede de água, esgoto e iluminação, como na questão estrutural de base o apoio de cestas de alimentação básica para famílias do Terreiro.

Ao assumir sua gestão como Iyalorixá, Mãe Márcia passa a enfatizar a função social do terreiro, não apenas o religioso. Para além do religioso, o espaço do terreiro e a vivência do candomblé são vistos por ela como ferramentas de mudança social. Como Iyalorixá do Egbè Ilé Iyà Omidayè Asè Obalayò, em meado do ano de 1996 Mãe Márcia realizou um projeto social, orginalmente chamado “Projeto Oxum” que além de realizar Natal e Páscoa solidários, fazia distribuições de sextas básicas arrecadadas com ajuda de amigos e voluntários, realizava oficinas de manicure, corte e tratamento de cabelos e tratamentos dentários básicos como flúor e limpeza através das ações de dentistas voluntários. Nosso objetivo sempre foi o resgatar e manter tradições, fomentando as origens da comunidade, despertando e criando oportunidades de formação profissional para jovens e adulto promovendo as tradições de manufatura artesanal da religiosidade para gerar renda efetiva.

A distribuição de cestas básicas (inicialmente implementada com ajuda e iniciativa de amigos e colaboradores com doações, posteriormente, somando- se às cestas fornecidas pela SEPPIR (Secretária Especial de Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial). Logo após surgem iniciativas de cursos livres, com apoio de voluntários que repassam técnicas e promovam ações de amparo social.

O objetivo sempre foi o de resgatar e manter tradições, fomentando as origens da comunidade, despertando e criando oportunidades de formação profissional, promovendo as tradições de manufatura artesanal da religiosidade para gerar renda efetiva.

Nesse sentido, desenvolve-se ações como: aulas semanais de resgate do vocabulário Ioruba e contação de histórias, no intuito de se preservar a língua iorubana, ocorreram oficinas de dança afro, de cantos; aprendizado da percussão, assim como, desenvolvemos atividades relacionadas a prática da

capoeira, da alimentação integrada a culinária afro, perpassando também para a pratica de uso do vestuário, no qual ocorre a aprendizado do corte e costura e o estímulo para a confecção de obras de artes que incluem esculturas em madeira e de ferro. Manter a continuidade do estudo dos cultos deste segmento, sustentar a memória desse povo e a fé nos mitos de origem das forças da natureza é missão importante para a Iya Márcia.

O Egbè Ilè Ìyá Omidayè Aṣé Obálayó é considerado o único Ponto de Leitura da Ancestralidade Africana no Rio de Janeiro. O espaço disponibiliza 1.200 livros sobre temas Afro-Brasileiros, o que propicia uma ambiência educativa e cultural ao Matrizes Que Fazem.Desde a sua fundação em 2011, inicialmente como sede da Associação Cultural de São Gonçalo, quando recebeu a Biblioteca da Ancestralidade, acolhe e promove ações afirmativas e de resgate e preservação da cultura e fomento à cidadania.

De acordo com a apresentação do Projeto “Ancestralidade Africana no Brasil: memória dos pontos de leitura” encontrada em sua página na internet: “A história dos povos e comunidades tradicionais afro-brasileiras, selecionadas para constituírem os “Pontos de Leitura Temáticos”, no programa da Fundação da Biblioteca Nacional (FBN), cujo registro em sua maior parte se encontra na memória, na história oral, vivida e repassada pelas gerações. Estes Pontos de Leitura Temáticos são em territórios habitados por Povos e Comunidades Tradicionais Afro-brasileiros, Quilombolas e de Terreiros. Esta ação está voltada para o registro, divulgação e compartilhamento das histórias locais da cultura africana e afro-brasileira nos 10 pontos de Leitura temáticos em diversas regiões do Brasil (Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Goiânia, Amapá, Piauí, Paraíba, Pará, Minas Gerais, Paraná e São Paulo).” O terreiro pesquisado integra o Projeto, sendo um ponto de leitura da Ancestralidade Africana no Brasil, o único no Rio de Janeiro.

Conheça alguns espaços:

Biblioteca da Ancestralidade

O Egbè Ilè Ìyá Omidayè Aṣé Obálayó é considerado o único Ponto de Leitura da Ancestralidade Africana no Rio de Janeiro. O espaço disponibiliza 1.200 livros sobre temas Afro-Brasileiros, o que propicia uma ambiência educativa e cultural ao projeto Matrizes Que Fazem. Desde a sua fundação em 2011, inicialmente como sede da Associação Cultural de São Gonçalo, quando recebeu a Biblioteca da Ancestralidade, acolhe e promove ações afirmativas e de resgate e preservação da cultura e fomento à cidadania.

Brinquedoteca Matrizes Que Brincam

Espaço projetado para crianças e jovens, de 5 a 12 anos, para prática e aprimoramento das dinâmicas, jogos, teatralização e com foco em atividades lúdicas que estimulam a pensar matematicamente e ajudam na prolação, mantendo o objetivo de oferecer à criança oportunidades e situações para pensar e trabalhar se divertindo.

Ilé Ibó

O ilé-ibó, ou casa da floresta, é um espaço do Omidayê destinado às árvores sagradas, plantas e ervas que integram o conjunto do ilé aṣé, elementos considerados manifestações do sagrado, investidos de papel simbólico que lhes é atribuído. Segundo o modelo de uma cosmologia tradicional, de inspiração religiosa, esse espaço é um reservatório natural, no qual é possível ter acesso aos ingredientes do reino vegetal que são indispensáveis para a viabilidade do culto.

Algumas Imagens do Omidayê

Siga-nos nas Redes Sociais

Para ficar por dentro de todas as novidades!